Sangue ruim

Version française

Sangue ruim

Sangue ruim

Langue : portugais, avec refrains en anglais
Texte : Paroles originales

Sangue ruim, de l’album I Am Bad, transforme le stigmate en langage de dignité et de présence. Le corps montré, la rue reprise et la blessure devenue couronne répondent aux injonctions familiales, religieuses et sociales qui demandent de rester discret. De l’avenue Paulista à Lisbonne, du Pelourinho à Luanda, le texte inscrit cette affirmation dans plusieurs espaces lusophones, où la fierté devient aussi une manière de respirer à nouveau. Ici, l’acceptation ne vient pas d’une perfection conquise, mais du refus de demander pardon pour exister et aimer.

English Version

Sangue ruim

Sangue ruim

Language: Portuguese, with English refrains
Text: Original lyrics

Sangue ruim, from the album I Am Bad, turns stigma into a language of dignity and presence. The visible body, the reclaimed street, and the wound transformed into a crown answer the social, familial, and religious pressures that demand silence and discretion. From Avenida Paulista to Lisbon, Pelourinho, and Luanda, the lyrics place this affirmation across several Lusophone spaces, where pride also means learning to breathe openly again. Acceptance here is not the reward of becoming flawless, but the refusal to apologize for existing and loving.

한국어 버전

Sangue ruim

Sangue ruim

언어: 포르투갈어, 영어 후렴 포함
가사: 오리지널 가사

앨범 I Am BadSangue ruim은 타인이 붙인 낙인을 존엄과 존재의 언어로 되돌려 놓는 노래다. 드러난 몸과 되찾은 거리, 왕관으로 바뀐 상처의 이미지는 조용히 살고 눈에 띄지 말라고 요구하는 가족적·종교적·사회적 압력에 맞선다. 상파울루의 파울리스타 거리에서 리스본, 펠로리뉴, 루안다에 이르는 지명은 이 자기 긍정을 여러 포르투갈어권의 공간으로 확장하며, 자긍심을 다시 숨 쉬는 행위로 그린다. 여기서 받아들임은 완벽해지는 데서 오는 것이 아니라, 존재하고 사랑하는 일에 더는 용서를 구하지 않는 데서 시작된다.

Sangue ruim


I am bad, I am bad
Mas essa frase já não me sufoca
I am bad, I am bad
Hoje eu saio, ninguém me tranca a porta

I am bad, I am bad
Não mais calado, não mais no escuro
I am bad, I am bad
Este corpo é meu futuro


Dedos me apontam no meio da avenida
Olha essa roupa, olha essa vida
Brilho demais, pele demais, cor demais
Desejo demais para olhos tão normais

Dizem: “Onde está o orgulho nisso?”
“Por que tanto corpo, por que tanto grito?”
“Façam o que quiserem, mas sem aparecer”
“Sejam livres, mas sem incomodar ninguém”

Falam de família, de igreja, de pudor
De boa aparência, de respeito e temor
Do que vão dizer no prédio, no bairro
Como se amar fosse algum pecado raro

Mas eu digo: sim, eu também sou frágil
Caio, tremo, erro, sangro fácil
O que escondo a semana inteira
Hoje eu visto como fogo na bandeira

Não vivo para o vosso olhar direito
Nem para esse silêncio chamado respeito
Se ser discreto é morrer devagar
Eu tomo a rua e começo a cantar

I am bad, sim, eu digo primeiro
Transformo o insulto em batuque verdadeiro
Meu nome dormia num quarto de vergonha
Hoje o grave acorda, hoje a rua me sonha


I am bad, I am bad
Mas eu não nasci errado
I am bad, I am bad
Minha ferida vira reinado

I am bad, I am bad
Sou vulnerável, mas estou aqui
I am bad, I am bad
Eu danço, amo, vivo por mim


I am bad, I am bad
A vossa marca vira coroa
I am bad, I am bad
Minha cicatriz agora ecoa

I am bad, I am bad
Não respiro mais debaixo da terra
I am bad, I am bad
Digam meu nome à luz aberta


Uma vida escondida é corredor
Portas fechadas, pouco ar, pouca cor
Cada espelho desvia o olhar
Cada amor aprende a se disfarçar

Dizem: “Cala, assim vais estar seguro”
“Passa despercebido, será menos duro”
Mas que liberdade pode restar
Se eu preciso mentir para respirar?

“Tudo bem, eu te escuto”
“Tu és quem tu és”
Uma frase simples
Pode pôr alguém de pé

“Tudo bem, eu te escuto”
“Você é quem você é”
Às vezes uma palavra
Salva quem perdeu a fé


No pátio da escola vi olhos se apagarem
Um menino doce aprender a se fechar
A voz mudava, o corpo crescia
E o mundo dizia: “Agora vira homem”

Ainda não tínhamos as palavras
Nem queer, nem trans, nem explicação
Mas sabíamos, sem teoria
Que ninguém se cura da própria existência

A vergonha dizia: “Tu estás torto”
A vergonha dizia: “Fica no teu posto”
A vergonha dizia: “Não chama atenção”
“Sê normal, ou desaparece então”

Mas eu reescrevo a sentença inteira
Não fui erro, nem falha primeira
Ainda aprendo a permanecer
A dizer meu nome sem desaparecer

Não há corpos errados
Há olhares que ferem
Não há amores sujos
Há medos que mentem

O orgulho não é medalha
Para os fortes sem quebrar
É juntar os próprios pedaços
E fazer deles um lugar

O orgulho não é só festa
Nem confete no ar
É sair do armário
E voltar a respirar

É Paulista cheia de gente
É Lisboa a caminhar
É Pelourinho em cor viva
É Luanda a se levantar

É a praça contra o silêncio
É o beijo contra o medo
É a mãe que aprende devagar
É o pai que desaprende o segredo

Dignidade escrita no papel
Não basta se não toca a pele
Eu quero viver sem pedir perdão
Por amar com meu próprio coração

Perguntam: “Onde está o orgulho
Nesse barulho, nesse exagero?”
Está aqui, no meu corpo que fica
Diante do vosso julgamento inteiro

I am bad, sim, eu digo outra vez
Mas essa palavra já não é prisão
Vocês escreveram como condenação
Eu levo dançando como canção


I am bad, I am bad
Mas eu não nasci errado
I am bad, I am bad
Minha ferida vira reinado

I am bad, I am bad
Sou vulnerável, mas estou aqui
I am bad, I am bad
Eu danço, amo, vivo por mim


I am bad, I am bad
A vossa marca vira coroa
I am bad, I am bad
Minha cicatriz agora ecoa

I am bad, I am bad
Não respiro mais debaixo da terra
I am bad, I am bad
Digam meu nome à luz aberta


I am bad
E mesmo assim existo
I am bad
E mesmo assim brilho

I am bad
E mesmo assim amo
Hoje eu não me escondo
Esta vida é minha

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